Neymar, a corrupção e o vizinho funkeiro

Alguém aqui já teve um vizinho funkeiro? Daqueles que adoram  fazer festona de madrugada tocando Funk Proibidão num volume suficiente para demolir o Maracanã?

Muitos  convivem com isso. Pois eu creio que o odiável funkeiro do bairro é um tipo que ajuda a entender a alma do brasileiro. Ele é o sujeito que para alcançar o prazer pessoal, a sua própria satisfação, não se importa em detonar o sono de todos vizinhos. É que o brasileiro sempre se acha pertencente a um grupo especial, que não precisa seguir as regras de civilidade que os outros seguem.

Não é muito diferente do cidadão que para fazer sucesso perante os amigos assedia as moçoilas no carnaval ou do sujeito que passa do limite de velocidade para curtir o carrão, arriscando a vida de uma galera.

No fundo ou nem tão no fundo assim, esse traço de personalidade que une essas pessoas tem um nome muito conhecido, egosímo. Por algum motivo, vivemos num país onde boa parte das pessoas tem muita dificuldade em pensar no outro, em se preocupar com o que possa estar causando a um terceiro, imagine então como é difícil as pessoas trabalharem juntas para conseguir um bem coletivo.

Daí se explica a corrupção. Ao atingir o esferas de poder, brasileiros continuam sendo brasileiros, pensando em seu prazer pessoal não se importando com as consequência de suas ações para os outros. Não preciso me aprofundar nisso, né? O  resultado já sabemos. Até juízes que investigam a corrupção se unem para ter privilégios que o resto da população não tem, fingindo não saber que o dinheiro do auxílio-moradia faz falta no posto de saúde.

Agora chegamos ao Neymar. Muitas das vezes que se atirou no chão fingindo ter sofrido uma agressão ele conseguiu seu intento. Zagueiros foram expulsos injustamente, gols foram marcados de forma ilegal. Neymar jamais pensou que sua atitude prejudica profissionais sérios que estão lá trabalhando tanto quanto ele.

O esforço para conseguir tudo o que quer leva ao sucesso. Empresários que sonegam geralmente ficam ricos, assaltantes e traficantes também. Corruptos tem vidas cheias de prazer e vereadores conseguem se destacar com seus pequenos poderes, só que no final, nossa sociedade virou uma porcaria completa.

Neymar foi pego pelas câmeras do mundo e virou piada global. Alguns políticos e empresários brasileiros foram pegos pela justiça e estão presos. Mas nada disso resolverá nosso problema. Precisamos criar um país onde a preocupação com o próximo seja mais importante que o prazer imediato e pessoal. Um país onde o vizinho funkeiro por respeito e educação, abaixe o volume espontaneamente às 22h.

 

 

 

7 comentários

  1. Perfeito! Na ferida!
    Muitos dos brasileiros criticos do jogador se enquadram em todas as variações de mesmo comportamento… Estamos longe de ter solução… o brasileiro sempre se orgulhou do seu “jeitinho” e não vai abandona-lo tão cedo…

  2. No Brasil Muitos viram “Deuses”, impossíveis de serem destronados. Esse é um deles, adoraria ver metade dos idólatras dele pensando igual a você! Não só com Neymar , mas em todo o contesto da nossa triste História.

    1. Oi minha cara, não sei o seu nome. Mas todos somos muito parecidos com o Neymar, cada um de nós quer ser privilegiado em relação ao outro. Vamos corrigir nós mesmos e assim corrigiremos o mundo.

  3. Infelizmente isso parece ser algo típico deste país. Embora ainda existam verdadeiros cidadãos nesse país, no entanto, a maior parte dele é formado por indivíduos alheios ao caráter, à ética, e consequentemente, entregues à corrupção ao egoísmo extremo e, infelizmente, apoiados pelas arcaicas leis que aqui operam, com suas parcialidades e injustiças. Eu lamento muito em saber que ainda estamos muito distantes de termos um país sério e que nos traga a dignidade e o respeito que tanto precisamos.

  4. Existia uma propaganda de cigarro na década de 70 com o jogador de futebol Gérson, que pregava que ‘o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo’. Essa mentalidade, que era vista como bacana na época, apodreceu o Brasil de hoje, onde cada um só pensa no que pode ter de benefício para si próprio sem pensar em como isso afeta o coletivo. E isso vai desde o político corrupto até o simples cidadão que ‘molha’ a mão do guarda para se safar de uma multa.

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