Formigas no transatlântico

O mundo está um caos. Bolsas caindo, chuvas devastadoras, vírus mortal, ódio vencendo, pessoas assustadas. Uma excelente hora para filosofar.

É justamente quando o mundo está uma confusão, quando sentimos a esperança nos abandonar que pensamos em Deus, que desejamos uma ajuda da providência divina. Em geral essa ajuda não vem.

Estaria Deus insensível a tanto sofrimento? Estaria ele nos testando justamente agora que nos sentimos tão frágeis, tão desamparados?

Nossa aflição vem da incapacidade de compreendermos Deus. Eu também sou assim. Somos tão pequenos diante d’Ele que não podemos concebê-Lo então reduzimos Deus ao tamanho da nossa compreensão. Como se Ele fosse uma criatura parecida com o homem, capaz de pensamentos com a moral humana.

Deus gosta de preces e não de aborto; Deus ajudou um sujeito a fazer um gol e atrapalhou o goleiro do outro time; Deus salvou uma criança no desabamento. Ou seja, deixou que as outras crianças morressem no mesmo acidente. Isso faz sentido?

Para tentar compreender sua grandeza, pensei numa metáfora.

Pensem em formigas que moram na cozinha de um gigantesco transatlântico. Elas Vivem das migalhas que caem no chão ou dos alimentos que os cozinheiros esquecem sobre uma bancada.

São tão pequenas, que acreditam que a cozinha e as salas no seu entorno são o universo. Acreditam que os homens são as maiores criaturas existentes, poderosos como deuses que podem as matar com um dedo apenas.

As formigas não conseguem conceber o transatlântico que as transporta, as abriga, as protege e as alimenta. Se elas pensassem em Deus, talvez o vissem como uma criatura espiritual na forma de uma formiga.

Nós somos as formigas. Deus é o transatlântico.

Os ateus devem estar achando o texto uma grande perda de tempo. Mas ele vale também para o universo. Nossos super telescópios nos desertos chilenos nos revelam galáxias e buracos negros, nebulosas distantes e explosões de estrelas. Tudo isso é fascinante, mas não passa da cozinha do navio. Não conseguimos imaginar a embarcação como um todo, muito menos o oceano que a cerca.

Somos formigas no transatlântico, preocupadas porque hoje não há bolo e caíram poucas migalhas para roubar.

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