Recuperando senhas

No dia de nossa morte seremos julgados. Isso acontece no céu, logo na entrada, num departamento que decide os destinos de cada alma nos planos intergalácticos. Neste momento, o anjo responsável pela admissão nos faz a seguinte pergunta.

_ O que você fez com o tempo que lhe foi dado na Terra?

Alguns contam histórias incríveis, grandes feitos como subir o Everest ou completar a maratona de Chicago. Outros mais modestos contam que criaram os filhos com dignidade, participaram de ações voluntárias, doaram roupas no inverno. Mesmo quem nada fez encontra em seus tantos anos algo de positivo.

Eu, com minha sinceridade característica, direi que passei meu tempo na Terra recuperando senhas.

Sei lá por que diabos tudo que é página, plataforma e aplicativo me pede uma senha e as senhas nunca funcionam. É aí que aparece o bendito aviso.

“Clique aqui para recuperar a sua senha”

E toca a saga de receber um PIN pelo celular ou pelo e-mail, confirmar a pergunta secreta (qual o nome da sua professora do primário?), entrar numa página para refazer a senha que precisa ter pelo menos 8 dígitos, algarismos especiais, números, letras maiúsculas, minúsculas, emojis, sinais de libras e pelo menos 3 hieróglifos egípcios.

Assim que eu troco a senha,  a primeira coisa que faço é anotar a nova senha num arquivo para que eu não a esqueça mais. É claro que isso não adianta nada, na vez seguinte que vou usá-la ela já não funciona.

Vou dizer que desisti do Icloud pois nunca nenhuma das senhas que criei funcionou, nem mesmo na hora em que foram criadas.

De qualquer jeito eu tenho em belo arquivo com todas as senhas anotadas e o salvei no Google Drive para poder acessar em qualquer dispositivo.

Agora perdi a senha do Google Drive.

Pois bem, quando chegar o dia do julgamento final e o anjo vier com a fatídica pergunta eu o interromperei com outra.

No Céu tem senha? Que se tiver pode me mandar direto para o Inferno!

4 comentários

  1. Hahaha… Muito bom! A vingança contra o mistério da vida após a morte, possivelmente nosso segundo maior dilema. O primeiro são as infinitas senhas.

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