Sob O Céu De Estocolmo

leia e ouça: trish toledo – do you love

A madrugada estava quente. Muito. Muito quente. As janelas do quarto estavam totalmente abertas e, ainda assim, o calor estava infernal, pois a ausência absoluta de vento naquela madrugada tornava a temperatura ainda mais implacável. Devastadora. Insana. O calor era intenso do lado de fora daquele quarto e, ainda mais demolidor por dentro. Cenário tórrido. Ardente. Alucinante. Abafado. Caldeirão. Caldeirão de sons, fluidos, texturas, sabores, aromas e o que mais pudesse estimular os sentidos. Império dos sentidos. E a lua e as estrelas, sortudas, apenas testemunhavam aquele casal deitado sobre a cama. Dois corpos nus, entrelaçados e suados. Molhados. Grudados de maneira indissociável, forte, suave, intensa e apaixonada. Dois corpos nus. Fundidos. Derretidos em suor e paixão. Dois corpos nus, estirados sobre um colchão antigo, porém macio e largo. Ainda bem que macio e largo o suficiente para ser palco de tantas posições, tantas ideias, tantas vontades, tantos desejos e tanto contato. Tantas línguas. Beijos e abraços. Toques. Tantos toques. Lábios. Múltiplos a parecer mais do que apenas os dos dois. Tensão. Muita. Calor. Insuportável. A madrugada estava quente. Muito. Muito quente. As pintas suaves na pele dela, logo abaixo do seu seio esquerdo, pareciam ferver. Os lábios dele simplesmente não cansavam de percorrer cada centímetro das pernas e dos seus quadris. Os pelos dos corpos dos dois eram os pinceis. O suor e a saliva, as tintas daquela pintura de desejo e vontade. Delírio e muito mais. Um quadro perfeito pintado por algum Deus de alguma crença pagã de amor e sexo. Amor e desejo. Vontade. Vontade que há tempos os acompanhava. A vontade do toque. A vontade do beijo. A vontade do calor. A vontade daquele momento. Tesão. A essência do perfume dos dois. O sabor da língua de ambos. O brilho do encontro perfeito. E o calor já não importava mais àquela altura. Não. O calor, definitivamente não importava. Os corpos deles, grudados, pura explosão. Paraíso tropical de desejo e paixão. Apenas um paraíso tropical.

E foi assim a madrugada inteira, naquele quente quarto daquele apartamento. Foi assim. A madrugada inteira. E seria assim, quente e intenso, ainda que não estivessem exatamente ali. Naquele exato cenário. Indiferente detalhe. Seria assim em qualquer lugar, onde quer que fosse.

Em qualquer lugar e a qualquer momento.

Ainda que fosse primavera.

Ainda que fosse outono.

Ainda que fosse qualquer estação do ano em qualquer lugar do planeta (ou fora dele).

O calor entre os dois seria o mesmo, sempre.

A ebulição do momento existiria onde quer que estivessem juntos.

Debaixo de qualquer improvável sol em um céu de inverno.

Eles. Quentes quando juntos, ainda que sob um distante e frio céu cinza.

Ainda que sob o céu de Estocolmo.

Photo by Thomas Kinto on Unplash

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