Transpiração

leia e ouça: quelle rox || cosmic gloom

Madrugada. Suor. Ela acordou de forma brusca e, assim, abriu os olhos grandes e verdes. Ofegante. Assustada. Perplexa. Suada. Os seus olhos esmeralda iluminaram o ambiente quase escuro do quarto, preenchido apenas pela fraca luz das velas amarelas acesas sobre o móvel baixo perto da janela. Madrugada. Era madrugada. Ela suou e ainda suava. Ela olhou para o relógio colocado sobre a cômoda ao seu lado. Não acreditou. Duas e meia da manhã. Duas e meia. Olhou para o vazio na cama ao seu lado e levou as mãos aos seus cabelos cor de girassol. Percebeu o suor. Percebeu o suor escorrendo e descendo pela têmpora a alcançar o seu peito, o seu dorso e o seu colo. Suor. Molhada. Completamente. Lembrou-se do seu sonho e percebeu o que havia acontecido. Lembrou exatamente o que havia sonhado. Cada cena. Sonhou com ele. Ainda mais uma vez. Lembrou-se dele. Suou ainda mais. Como se pudesse esquecer. Lembrou-se dos detalhes do seu sonho. Cada delicioso detalhe. As palavras que ele ainda não havia dito. O toque que ela ainda não havia sentido. O brilho no seu olhar que ela ainda não havia testemunhado. O perfume dele que ainda não havia grudado em seu corpo. A sua língua que ela desejava ardentemente a deslizar por cada centímetro do seu corpo.  Cada centímetro do seu corpo. Ela estava ofegante. Admirada. Perplexa. Suada. Mesmo tendo acabado de acordar, os seus olhos verdes brilhavam muito. Não, não mais de prazer, mas sim pelas lágrimas de alegria que insistiam em se formar e querer escorrer pelo seu rosto para se misturar ao suor. Molhada. Suada. Era madrugada. Ela havia sonhado novamente. Novamente com ele. E desejou, naquele instante, que ele apenas estivesse ali. Ao vivo. Em cores. Real. A chuva, a madrugada e os sonhos repetidos insistiam em provar que a cama era grande demais para ela ficar sozinha nela. Sozinha, deitada e molhada. Bem, ao menos naquele momento, ela também ficou feliz. Raro momento. Ela ficou muito feliz. Raro flagrante. Feliz como há tempos não se sentia. Há tempos. E, antes de tentar voltar a dormir, ela simplesmente ignorou o fato de sequer o conhecer ainda e apenas pensou ansiosa, onde será que ele está. Onde será?

Photo by Dylan Sauerwein on Unsplash

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