Luta de Classes em Casa

Três filmes tão parecidos em três países que comportam três povos tão diferente. Brasil, Índia e Coreia.

Que horas ela volta?

O Tigre Branco 

Parasita

Os povos e as realidades tem suas diferenças, mas os enredos contam histórias parecidas. Histórias de luta de classe no ambiente doméstico. Uma tensão indisfarçável entre patrões e seus empregados. É curioso compará-los.

Na Índia, Balram sonha em se tornar motorista de uma família rica e quando consegue, é tratado como um escravo, age de forma servil e submissa, exposto a todo o tipo de abuso. Balram sabe do papel de cada casta e se aceita como criatura inferior. É claro que o filme nos revelará surpresas.

Não tão diferente de Balram é Val, a Pernambucana que trabalha na casa de uma rica família Paulistana. É quase da família, mas dorme no quarto de empregada e conhece seus limites. Jamais entra na piscina. Limites que não são respeitados por sua filha que mora longe e vem visitá-la. A jovem não entende a relação de subserviência da mãe.

Já na Coreia, os serviçais são parasitas. Mentem, manipulam e se aproveitam da ingenuidade dos patrões.

Em comum, os três filmes tem a tensão. A relação parece tranquila vista de longe, mas de perto, há pequenas fraturas que vão crescendo até se formar um conflito, cada um com sua particularidade.

Aparentemente, a desigualdade e o conflito de classes não são privilégios de um único povo ou região do planeta, tampouco são novidades. Desde a mais longínqua antiguidade já existiam escravos e escravos domésticos. Mas parece que nos últimos anos o cinema resolveu retratar essa relação.

Nós, brasileiros de classe média não precisamos pagar ingressos para conhecer estas histórias de tensão. Quantas vezes não ouvimos de patroas que não permitem que suas empregadas tomem um único iogurte. Quantas empregadas por outro lado roubam sorrateiramente peças de roupa de suas “amadas” patroas.

“Ela é como se fosse da família” – Diz a patroa para os amigos enquanto a empregada serve canapés no jantar para amigos.

“Ela adora trabalhar aqui, eu dou várias roupas velhas para ela”.

Acomodadas como as frases feitas, as classes se eu suportam, até que a corda fique tensa demais a ponto de um único puxão colocar tudo a perder.  Nesse dia a casa cai para aquela que era “quase” da família.

“Tive de mandar embora, 10 anos aqui e não aprendeu a passar uma camisa”.

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