Hotel Varsóvia

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Hotel Varsóvia. Um quarto de hotel. Eles. Sim, lá estavam eles. Enlouquecidos e inebriados. Ansiosos e desesperados. Um doce desespero, mais que esperado. E, por um momento, ele apenas decidiu. Intenso, segurou as suas mãos. Mãos doces e delicadas, as dela. Finas. Mãos grandes e certeiras, as dele. Não mais tímidas. Seguras. Num arroubo, ele trouxe o corpo dela junto ao seu com firmeza, usando o braço que a envolveu pelas costas. Ligeiro e confiante. Atraente e até arrogante. Os corpos tocaram por inteiro. Até que enfim. Frente a frente. Olhos nos olhos. Dentro. Densos. Brilhantes. Intensos. Pulsantes. Ele tremeu os lábios e, em resposta, ela o convidou com o olhar e o permitiu prosseguir. Avançar. E ele? Assim obedeceu. O controle? Era dela. O nervoso? No ar. O desejo? Dos dois. A vontade? Inexplicável. A situação? Única. O aroma? Perfume. Pura libido, agora nada contida. Não mais. E, assim, ele a beijou. Finalmente, ele a beijou. Ela deixou e o tocou. Ele? Adorou. O contato envolvente e suave dos rostos e bocas fez os lábios abrirem ainda mais e as línguas, ansiosas, se encontrarem e dançarem frenética e delicadamente. Um baile. Aquele baile. O baile deles. Um baile de desejo e vontade. Muita vontade. Tensão. Tesão. Tremor. Emoção. Mãos. Mãos que pareciam muitas, várias, incontáveis, inúmeras e infinitas, mas eram apenas as mãos deles. Apenas as mãos deles. Mãos excitadas e ligeiras que percorriam costas, rostos, cabelos, braços e colos. Peitos. Um delicioso e mágico festival dos sentidos. Festival de sabores e aromas. Ele? Ele a sentia quente em seu quadril. Ela? Ela o sentia duro em seu quadril. Ele a sentia molhada, mas não de suor. Ela o sentia trêmulo, mas não de nervoso. E, num movimento, ele a virou. Em um lampejo febril a segurou por trás e dançou com sua língua por seu pescoço e desceu. Nuca. Nuca, pescoço, quadril e pernas. Pés. Tudo. Toda. Inteira. Suaves carinhos. Suaves beijos. Suaves tudo. Tudo. Atrevidos e deliciosos toques. Ardentes. Alucinantes. Delicados. Gemidos. Abafados e sinceros. Tensão quebrada. Exposto desejo. Corpos agora nus e abraçados. Enfim. 

Enfim, eles.

Afinal. 

Afinal.

Até o final.

Acabaram horas depois aquela dança inexplicável. Exaustos. 

Simplesmente exaustos. 

E as gotas finas da chuva que caíam lá fora, demoravam a deslizar pela janela daquele quarto do Hotel Varsóvia, apenas para ter o prazer de testemunhar o quanto pudessem e conseguissem, aquele casal deitado e dormindo sobre a cama bagunçada. Nus. Despidos. Revelados. Entregues. Suados e tão molhados, com seus sentimentos desvendados. Desejos. Corpos únicos. Corpos enfim únicos. Indivisos naquele instante. Dois corpos, mas como se fosse apenas um.

Um coração.

Um desejo.

Um corpo.

Apenas um.

O deles.

Inteiro por uma noite.

Apenas por aquela noite.

Apenas.

A primeira, a única e a última.

A única noite que foi deles.

Uma noite.

Aquela.

Photo by Henri Cartier-Bresson (1934)

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