Inícios aleatórios para contos imaginários

Tarde de março. Calor de rachar os miolos. E ela não estava lá.

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Foi um rio que passou em minha vida. Destruiu os móveis, as roupas, os eletrodomésticos, a televisão. Sobrou só a lama e os boletos.

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Ela sabia como seduzir. Tinha todos os atributos. Tinha tempo. Só não tinha vontade.

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Essa é a história mais banal que eu já ouvi.

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Os ruídos abafados vinham à noite do porão. 

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Roberta acordou decidida a matar sua sogra.

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Tentei análise. Tentei o centro espírita. Tentei macumba. Tentei, mas não teve jeito.

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Haja o que houver, não solte o cinto.

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A dura verdade veio finalmente à tona. Mas ela decidiu continuar vivendo a mentira. Era mais cômodo.

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O aviso de cão bravo, no muro, não era mentira.

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O remetente no pacote era de São Petersburgo, Rússia.

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Tem funghi. Tem parmigiano. Tem tomate. Pasta. Azeite. Alho. Mas o gás acabou.

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Era a corrida da sua vida. Estava preparado. Nos cascos como sua treinadora dizia.

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Quase seis metros de comprimento. Era uma constritora. Estava no seu sofá.

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Lá longe, ele via a liberdade.

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Suas lágrimas se confundiam com as gotas de chuva que brilhavam vermelhas na luz do freio do carro da frente.

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Podia ter ligado antes de vir.

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Mal sabia ele que o autor já havia decidido pela sua morte. E ia ser violenta.

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Ele tinha um olho de vidro. O esquerdo.

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Sonhava com ondas gigantes. Acordava sobressaltada e ia para varanda escutar o barulho do mar. Era cega.

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Era um daqueles cadernos pautados. A capa meio gasta, via-se que estava quase todo preenchido. Jogado em um banco na estação de metrô Rue de Bac.

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Pegue a Lua, por exemplo: ela muda as marés, interfere nos ciclos menstruais e deixa a minha gata miando feito louca.

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Tentava pintar o silêncio. Mas mesmo a mais leve pincelada era um grito na tela.

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Fim de festa: nos cantos, garrafas vazias. Cinzeiros lotados. E lá, atrás daquela lata de cerveja, o meu coração jogado.

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Tenho que continuar escrevendo para saber o final.

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É o fim. Ou, o começo.

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