O Mal

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Em algum momento pareceu correto para um bando cidadãos comuns punir uma suposta transgressora com socos e pauladas. A multidão enfurecida, portando barras e pedras não descansou até que a moça estivesse praticamente disforme. Embora ainda não se saiba com certeza quem eram os agressores, não é difícil imaginar que entre eles havia donas de casa, trabalhadores e estudantes que até esse ato torpe, poderiam ser consideradas boas pessoas.

Em outro lugar do Brasil, um médico acha que seu filho, do primeiro casamento, é um empecilho para seu novo relacionamento. Ele e a atual mulher decidem matar a criança contanto com a ajuda de uma amiga. Do casal assassino, podemos imaginar  uma insanidade, alguma irracionalidade doentia que os tenha conduzido ao odioso ato. Mas e a amiga? Como alguém aparentemente correta, com vida integrada à sociedade, com um bom emprego aceita participar de um crime destes sem estar emocionalmente envolvida?

Em uma rua do centro do Rio, transeuntes acorrentam e espancam um trombadinha adolescente. Uma apresentadora de TV apoia e louva o ato. Ou seja, uma pessoa respeitada, no conforto do ar condicionado, com tempo para meditar sobre o assunto, defende a agressão irracional.

Eu não me espanto que existam pessoas más. Elas simplesmente existem. Pessoas que não sofrem pelo outro, não sentem empatia. Pessoas com diversos tipos de psicopatia e que manifestam este mal em seus crimes absurdos. Pessoas simplesmente capazes de matar sem remorsos. O que me espanta é saber que existem humanos aparentemente normais que ao verem o mal se tornam solidários a ele. Amigos que no lugar de dissuadirem a intenção psicopata se tornam comparsas dos crimes.

Essa solidariedade assassina, que leva o cidadão aparentemente pacato ao crime me assusta mais que o mal cometido pelo psicopata propriamente dito. Sem esse apoio do homem comum, o nazismo ou a Klu Klux Klan não seriam possíveis. Estaria o mal voltando? Ou sempre esteve aí, habitando nossos vizinhos e quem sabe,  em um ponto escondido, nossas próprias almas.

 

 

2 comentários

  1. Cara, não entendi qual é a sua aqui no seu espaço… Maluf dando abracinho gostoso em Figueiredo, Marilena Chauí falando mal da burguesia, Siglas de uma ditadura horrorosa misturadas com outras tolas do PT. “Quo Vadis”? Não se justifica estupidez com estupidez. É melhor enxergar que é tudo uma porcaria, ficar calado se não tiver nada para contribuir, do que dar estas opiniões toscas só pra fazer artigo “bacaninha”. Meus pêsames…

    1. Eu acho que você está criticando vários artigos, e não somente esse. Assim tenho um pouco de dificuldade em entender o que te incomodou. Esses textos dos quais você fala já tem alguns anos. Foram escritos em outro contexto político. De qualquer forma forma, agradeço a visita. Se quiser ser mais específico podemos debater qualquer que seja a ideia que te incomodou. O texto das siglas da ditadura por exemplo, é um trick para enganar os fãs da ditadura. Eles leem esperando algo sério e acabam caindo num texto maluco…

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