Deus do mal

Sinto um pouco de inveja dos antigos gregos e romanos em sua pluridade de deuses. Havia deuses para o amor, para a guerra, para o vinho e até para as orgias. Hoje, temos um Deus só e ele acaba servindo para muita coisa.

Talvez por algum romantismo infantil, sempre achei que Deus era um defensor do amor. Eu sei que é meio piegas, mas sou assim mesmo, assumo. Pena que nem sempre a vida é como a gente quer.

Afinal, em nome de Deus mulheres e judeus foram queimados na idade média, condenados pelas maiores figuras religiosas. Em nome de Deus se derrama sangue em Jerusalém há 2.000 anos e em nome de Deus negros foram caçados e vendidos como escravos.

Ainda hoje há mortes aos montes em nome de Deus. Olavo de Carvalho usa a bíblia para defender que as pessoas devem andar armadas e seus seguidores pedem sangue em nome do mesmo Deus. Um pastor e Deputado chamado Feliciano fazia piada com a morte da vereadora Marielle na semana do crime. Pelo jeito, Deus curte um assassinato também.

A visão sanguinária de Deus não é um absurdo tirada da cabeça oca de pessoas também sanguinárias. A Bíblia está aí para quem quiser ler, cheia de passagens de intolerância e todo o tipo de atrocidade. Se você duvida, leia “Caim” de José Saramago.

Deus é capaz de escolher um favorito entre os filhos de Adão, provocando a fúria do preterido. Deus resolve que Sodoma e Gomorra devem ser destruídas, devido ao mal comportamento de seus cidadãos. Só que em sua fúria Deus mata a todos, homens, mulheres, crianças e animais (bebês, labradores, poodles e gatinhos).

Deus pede que Abraão mande um de seus filhos para morrer no Deserto e sacrifique o segundo em ritual, transformando o velho patriarca num potencial infanticida. Os exemplos são inuneráveis, poderia ficar até amanhã citando barbaridades bíblicas.

Não me espanta que tantos pastores, bolsonaros e seus fãs preguem o ódio com o livro sagrado debaixo do braço.

Mas não é só para o ódio que Deus serve. Ouço as rádios evangélicas e descubro que todas as passagens da bíblia tem apenas uma finalidade, convencer as pessoas a pagar o dízimo.

Jesus transformou a água em vinho para te explicar que o dízimo é importante.

Moisés abriu o mar morto para convencer o cristão a abrir o bolso.

Noé constriuiu a arca só para que você pague o dízimo.

Como sou ingênuo… Com tantos usos para Deus, só um tolo senil para acreditar que Deus se preocupa com o amor. Felizmente, não estou sozinho.

Rabi Akiva, um dos maiores sábios judeus dizia que amar ao próximo é o mais importante mandamento da Torah. Para ele, amar ao próximo é como cumprir todos os 613 mandamentos judaicos. Jesus afirma algo bem parecido.

Já São Paulo, em Corintios, defende que de nada vale falar a língua dos homens e dos anjos, conhecer os mistérios e a ciência, sem amor.

Não sou teólogo ou estudioso, mas na minha filosofia de boteco prefiro ficar no time de Jesus, Rabi Akiva e São Paulo. O time de Trump, Bolsonaro e Malafaia não em agrada. Se Deus serve pra tudo, há de servir também para o amor, para o perdão, para a caridade e para a compaixão.

E você leitor? Seu Deus serve pra quê?

10 comentários

  1. Meu amigo Lúcio, você se engana em achar que não temos hoje uma pluralidade de deuses. Na realidade, há muitos, não apenas aqui no Brasil, mas no mundo inteiro. Porém, O verdadeiro D’US a quem imagino que você repele, é quem parece estar em desvantagem para os demais se formos fazer um censo mundial na tentativa de saber qual deles é o preferido da humanidade. Embora os escritos do Tanach relatem diversas “atrocidades” em nome de D’US, mas nunca foram sem pretextos, conforme revelam os contextos da história. Acredito que seja um excesso de justiça Divina, infelizmente isto tem causado a origem do ateísmo e do agnosticismo. Mas nem tudo foi ordenado propriamente por D’US, pois até os dias de hoje, é comum os povos de facções que se dizem “religiosas”, mas na realidade são terroristas criminosos, cometerem suas barbáries usando em vão a pessoa de D’US. Também sei que existem pessoas que usam a Bíblia, inclusive “pastores”, para promoverem seus delitos dando uma conotação Divina e se saírem pela tangente. Portanto, quem prega o ódio ou cobra dízimos usando a Bíblia, está apenas usando escritos isolados da palavra sem considerar todo o seu contexto. É por isto que o mundo está cheio de religiões e mais parece uma antiga Babilônia repleta de doutrinas e antagonistas. Hoje é muito mais fácil a maioria das pessoas acreditarem em coisas seculares do que no livro secular, no caso, a Bíblia. Você citou o grande escritor José Saramago, homem de extrema sabedoria e polivalente nos assuntos. Infelizmente, quando a sabedoria é extrema, algumas vezes ocorre do erudito ser engolido pela própria sapiência. O seu livro intitulado “Caim”, foi o clímax do ateísmo, pois foi o seu último escrito. E com certeza ele produziu diversos seguidores. No relato de Caim e Abel, D’US não escolheu um “ser humano” favorito, mas uma “oferta” favorita. O que aconteceu em seguida, foi uma consequência de causa humana, mas não de providência Divina. Qualquer um de nós poderia estar envolvido em ter que escolher um presente entre dois ofertantes. E nem por isso somos responsáveis se o presente não escolhido, transformou o seu doador em um invejoso e homicida. Na história de Sodoma, ficou bem claro que, se existisse “uma” só pessoa justa naquele lugar, D’US evitaria a destruição. Quanto aos dois filhos de Abraão: D’US não deixou um deles morrer no deserto, ao contrário, foi amparado por anjo, cresceu e tornou-se grande arqueiro e pai de grandes nações que até hoje contam a sua História. O outro, não foi sacrificado! O patriarca Judeu apenas foi testado e aprovado quanto à sua fé e submissão. Tão grande era a fé dele, que sabia que D’US iria prover um sacrifício (crendo que não seria o seu filho). O próprio filho, criado em fé, fora calado e submisso, se entregando ao sinistro. E foi poupado! A Torah, com os seus 613 Mitzvot (Preceitos), curiosamente, foi inspirada e outorgada por este D’US que tem alcunha de malvado, o mesmo D’US que Yeshua (Jesus) nos instou a amá-lo acima de tudo, qual primeiro mandamento, pois quem considera o primeiro mandamento, certamente vai cumprir o segundo (amar o próximo como a si mesmo). Paulo afirmava amar esse D’US! E mesmo aqueles que não creem em D’US, mas que amam verdadeiramente ao próximo, com certeza tem o agir da sua real natureza trabalhando em segundo plano, agindo de forma involuntária.
    Portanto, meu amigo Lúcio, não vim polemizar, mas tentar pelo menos suavizar as infamações arremessadas contra D’US. Respeito também suas opiniões, afinal, esse “D’US” permite o livre arbítrio, inclusive, a escolha de amá-lo ou odiá-lo.
    Um abraço e ótima semana para você!

    1. Eu não quis falar mal de D-us ou da Bíblia. Apenas quis mostrar que as pessoas usam a Bíblia para justificar suas próprias crenças e atitudes. Seja lá quais forem essas atitudes. Concordo com você temos muitos deuses hoje em dia: O Deus consumo, o Deus vaidade…

      1. Eu até estranhei, pelo fato de acompanhar os seus artigos e admirar os seus trabalhos e as suas publicações. E verdade seja dita, hoje em dia estão utilizando a Bíblia para se autopromoverem e criarem falsas doutrinas baseadas em simples textos que lavam as mentes, principalmente do povo mais carente na área espiritual. A verdadeira religião instituída por JESUS era completamente voltada para a área social e obras de misericórdia, o que na realidade não se vê hoje. O que se vê hoje em dia, são templos suntuosos completamente lotados e membros sendo extorquidos, com seus “pastores” levando a vantagem da fama, sucesso e riqueza. E no mais, desculpe se fui relutante com o seu artigo, mas a minha admiração pelo seu Blog continua a mesma.
        Um abraço meu amigo!

      1. Já me esforcei algumas tantas vezes na vida para acreditar em alguma deidade.
        Fui criado com católico apostólico romano e à medida que estudei vi tanta barbaridade promovida pelos católicos.
        À medida que estudei vi tanta coisa errada e absurda promovida pelos ditos luteranos calvinistas, hoje mais conhecidos como evangélicos.
        Vi tantas barbaridades e extravagâncias executados tanto pelos muçulmanos quanto pelos sionistas.
        Sempre alguns em nome de alguma deidade…
        Moro aqui na roça no interior de Minas, e Achava mesmo que eu não tinha fé alguma. Outro dia um garoto amigo meu de apenas 21 anos de idade mostrou-me a grande extensão da minha fé que, contudo, não pode estar associada a nenhuma dessas deidades são profanadas pelas diferentes religiões.
        Pude entender que minha fé está muito mais próxima da fé de alguns orientais, como os xintoístas por exemplo, obviamente sem tanta sabedoria e conhecimento acumulado.
        Deste modo eu tenho sim a crença em um deus que não deveria ser chamado de divindade, na acepção básica do conceito de deidade. Eu faço minhas orações ao deus qual acredito, em conversas frequentes tanto nas vezes em que preciso quanto agora, por exemplo.
        Abraço grande.
        Amor, compaixão, solidariedade.
        Felicidade. Sempre.

  2. O problemas das religiões é o que os homens fazem dela. Com todos os defeitos, gosto muito do judaísmo. A oração me dá forças. Por curiosidade, que região de Minas? Aliás Minas é mais Católica que o vaticano… rsrss

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